Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) garantiu uma reviravolta no futuro do deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União Brasil), conhecido publicamente como Delegado Da Cunha.
Horas após o governador Tarcísio de Freitas publicar sua exoneração "a bem do serviço público" no Diário Oficial do Estado, o Judiciário paulista concedeu um mandado de segurança liminar para suspender o ato administrativo.
A exoneração do policial civil licenciado havia sido fundamentada em irregularidades graves apuradas pela Corregedoria da Polícia Civil, com destaque para a acusação de que Da Cunha teria simulado e encenado uma operação policial para gravar conteúdos voltados às redes sociais. Segundo os autos do processo administrativo disciplinar, o episódio envolveu a reencenação da prisão de um suspeito de integrar uma facção criminosa com o objetivo de obter engajamento digital.
Entendimento judicial e ampla defesa
Ao analisar o pedido feito pelos advogados do parlamentar, o desembargador Álvaro Torres Júnior acolheu o argumento da defesa, garantindo a continuidade do vínculo do servidor até que o mérito da ação administrativa seja formalmente julgado.
Principais pontos do caso:
Motivo da pena administrativa: Violação de deveres funcionais da Lei Orgânica da Polícia de SP devido à encenação de operações para redes sociais.
Efeito prático imediato: Suspensão da demissão e manutenção dos direitos funcionais do delegado licenciado enquanto durar a análise da ação principal.
Status no cargo: Da Cunha segue exercendo o mandato parlamentar na Câmara dos Deputados, situação na qual já se mantinha afastado das funções operacionais da Polícia Civil, sem remuneração pelo cargo de delegado.
Em nota divulgada pela assessoria do deputado, a decisão foi comemorada sob o argumento de que reforça "o compromisso da Justiça com o Estado de Direito e com o princípio da ampla defesa". O Palácio dos Bandeirantes e o Governo de SP não comentaram de imediato sobre eventual recurso cabível contra a decisão liminar.


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